Notícias

Asper
Voltar 03 de Março de 2017

Correios rasga e joga no lixo mais de quatro mil correspondências


O material foi interceptado pela reportagem de A Gazeta de Rondônia graças à denúncia de um morador que achou estranha a ação; advogado diz que vai propor ação coletiva por danos morais contra Correios

ZACARIAS PENA VERDE
Maria da Paz, José Dias, Jorgete Kate, Abraão Lincoln. O que estas pessoas têm em comum, além do fato de morar em Porto Velho? Poucas pessoas saberiam responder. Elas fazem parte do grupo usuários que teve suas correspondências rasgadas e jogadas no lixo, em um ponto de coleta comum na Rua Anari, bairro Eldorado, na zona Sul de Porto Velho. No total, estima-se que mais de quatro mil correspondências foram destruídas pela ação dos Correios.

O crime foi cometido pela agência dos Correios da Rua Anari. A mesma onde foram jogadas as correspondências, de todas as modalidades: boletos bancários, faturas de vários bancos, faturas de cartão de crédito, contas de telefonia celular – com dados de ligações, números ligados, tempo de duração de chamadas. Todos os dados que deveriam ser sigilosos, mas que foram expostos pela gerência dos Correios de quem, segundo denúncia apurada pela reportagem de A Gazeta de Rondônia, partiu a ordem de rasgar – de forma amadora – e jogar no lixo de coleta comum, em sacos pretos, os documentos.

O material foi interceptado pela reportagem de A Gazeta de Rondônia graças à denúncia de um morador que achou estranha a ação. De acordo com uma fonte ligada aos Correios que prefere não ser identificada, as correspondências seriam do Bairro Novo, localizado na BR-364, próximo à entrada do bairro Ulisses Guimarães. Mesmo o local atendendo às exigências da Lei Postal, que dita os protocolos sobre entrega de correspondências, moradores vem sendo “sabotados” pelos Correios há muito tempo.

A informação de que seriam “apenas” documentos destinados a usuários do Bairro Novo não procede. A equipe de A Gazeta de Rondônia fez um verdadeiro “pente-fino” em dois sacos de correspondências e constatou que pessoas dos bairros Eletronorte, Areal da Floresta, Floresta, Eldorado – o mesmo onde fica a agência “modelo” dos Correios – também foram vítimas da ação classificada como “sabotagem”, maléfica, desumana, irresponsável, criminosa, pela maioria das pessoas ouvidas pela reportagem.

Jorgete Kate disse que teve sua vida pessoal exposta ao ter sua conta telefônica violada. Ela explica que há números particulares – que interessa apenas a ela – que não poderiam jamais cair nas mãos de muitas pessoas. Isso, segundo kate, seria uma “catástrofe” que poderia trazer problemas graves, todos de cunho passional.
Maria da Paz diz ser imperdoável a atitude. Para ela, nada justifica o crime cometido pelos Correios. Morando em Porto Velho há 30 anos, jamais esteve no Bairro Novo. “Sempre morei no bairro Floresta. Agora entendo porque deixo de receber inúmeras correspondências, principalmente faturas”, afirma.

O aposentado José Dias, 70 anos, afirma não acreditar. Ele diz ser inconcebível que em uma época onde a comunicação é feita por várias plataformas, seja possível uma ação tão “medíocre”, irresponsável como esta. José só acreditou ao ver os pedaços de suas faturas rasgadas. “Uma instituição como os Correios, que é tida como patrimônio dos brasileiros, permita que pessoas sem nenhum compromisso, que não respeitam as seus semelhantes, que não pensam nas consequências de seus atos, estejam no controle de suas agências”, desabafa.
Para ele, a ordem foi dada por alguém que exerce algum tipo de comando. “Nenhum funcionário vai rasgar correspondências e jogá-las no lixo, sem receber ordem de um superior. Essa pessoa deveria ser punida exemplarmente pela direção da empresa”, afirma José Dias.

Fonte: Site www.acriticanews.com.br


Hospital Carlos Chagas
Escritórios Regionais